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A dor da enxaqueca

September 14, 2017

A migrânea, popularmente conhecida como enxaqueca, é um tipo de dor de cabeça de origem primária no cérebro (causas não totalmente esclarecidas) que tem caráter unilateral (ocorre em um lado da cabeça), pulsátil e pode vir acompanhada de outros sintomas como náuseas e vômitos e até mesmo ser precedida por "áurea" (por exemplo, ver raios de luz antes do início da dor). A sua duração é bastante variável podendo ir de minutos a horas até vários dias, neste último caso quando ocorre em ao menos 15 dias por mês durante um mínimo de 3 meses, denominamos enxaqueca crônica. As mulheres são as mais acometidas e em geral o seu início ocorre antes dos 30 anos principalmente se existe história familiar. As crises podem ser precipitadas por uma série de fatores como podemos citar a menstruação, distúrbios do sono, alterações hormonais, uso de álcool e certos alimentos como chocolates e frutas cítricas. A personalidade das pacientes que sofrem de enxaqueca por vezes é descrita como meticulosa, compulsiva e até mesmo em alguns casos “rígida”, são pacientes que costumam ter dificuldades de manejar o estresse do dia a dia.

 

Como dito anteriormente, a enxaqueca é por definição uma dor que ocorre apenas em um lado da cabeça e que podem se alternar, mas nunca é bilateral e também piora com exercícios físicos. Em geral a dor é pulsátil e fronto-temporal (por volta do olho) e pode durar de 20 minutos a 1 hora se associando a sintomas como náuseas e vômitos, piorar com a luz e som alto.

Cerca de 20% dos pacientes experimentam “áurea” (ocorre por isquemia em algumas áreas do cérebro) que geralmente ocorrem 30 a 60 minutos antes do início da dor sendo a áurea visual (onde se vê raios e pontos de luz) a forma mais comum, mas também é descrito áureas que cursam com perversão do olfato (alteração no cheiro dos objetos) e sensibilidade aumentada ao sons.

Raramente, déficits neurológicos como afasia (dificuldade em falar e entender o que é dito) e hemiparesia (paralisia parcial de um lado do corpo) podem acompanhar os episódios dolorosos e caso durem mais de 24 horas são denominados de migrânea com áurea prolongada, aumentando os riscos de déficits neurológicos persistentes.

 

Não existe exame específico para diagnóstico, por vezes é solicitada ressonância magnética de crânio caso o paciente experimente progressão da dor e/ou alteração no padrão de dor relatada pelo mesmo e na presença de déficits neurológicos afim de se excluir patologias secundárias (tumores, más formações vasculares, etc), porém seu principal diagnóstico diferencial é a cefaleia tensional que costuma ser bilateral e não vir acompanhada de outros sintomas comuns na enxaqueca.

O tratamento depende principalmente da frequência das crises e a sua intensidade, se ela ocorre de forma esporádica optamos por prescrever analgésicos para abortar as crises como anti - inflamatórios, derivados da ergotamina e os triptanos. Na literatura também é descrito o uso de infusão de anestésicos (lidocaína), neurolépticos (clorpromazina), propofol, inalação de oxigênio e bloqueios do gânglio esfenopalatino/nervo grande occipital. Caso seja frequente e também privando o paciente de suas atividades diárias, é prescrito tratamento preventivo com certas drogas, sendo as classes mais usadas os antidepressivos (amitriptilina,duloxetina,etc), beta bloqueadores (propranolol) e anticonvulsivantes (topiramato, ácido valpróico, etc), onde a escolha do melhor tratamento profilático vai depender das características de cada paciente considerando tratamentos prévios e comorbidades.

 

Embora com menor evidência para o seu uso, podemos utilizar em casos crônicos a acupuntura e também injeção de toxina botulínica em certos pontos da cabeça.

 

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