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O que são cuidados paliativos?

January 22, 2018

Atualmente, as doenças crônicas, progressivas e incuráveis são as principais causas de incapacidade, sofrimento e morte, como é o caso do câncer, AIDS e outras enfermidades que acometem órgãos vitais como coração, pulmões, sistema nervoso, fígado e rins. As doenças crônicas progressivas limitadoras do tempo de vida são mais comuns nos adultos e idosos, mas podem ocorrer em todas as idades.

 

A medicina nos tempos de hoje, oferece ferramentas diagnósticas e tratamentos avançados para as mais diversas patologias encontradas na prática clínica, podendo prolongar a vida em uma quantidade considerável de casos. Porém, não necessariamente isso é acompanhado de uma melhoria na qualidade de vida ou mesmo de morte em casos onde não se foram possíveis tratamentos curativos, onde os pacientes podem vir a experimentar parcelas consideráveis de sofrimento, seja ele físico, psíquico e espiritual. Dessa forma, os princípios da medicina paliativa, assim como da boa prática médica, estão centrados nas atitudes, na comunicação e no cuidado, tudo isso com respeito à vida humana e pautado na solidariedade, favorecendo a autonomia do paciente. A comunicação com familiares e equipe deve ser verdadeira, misericordiosa e prudente. O cuidado tem de ser planejado, continuado, técnico, porém aliado ao humanismo.

 

Quando não se pode curar, o que é muito frequente, o alívio do sofrimento e o conforto são universalmente reconhecidos como os objetivos principais da medicina. O reconhecimento deste axioma é a base da filosofia, ciência e prática da medicina paliativa.

 

A dor e o sofrimento nas doenças fora de possibilidades de cura podem ser intoleráveis e subtraírem o valor e esperança da vida, Cicely Saunders, pioneira dentro dos cuidados paliativos, lembra – nos que “o sofrimento somente é intolerável quando ninguém cuida”, por isso o foco de cuidado é para que a vida seja vivida em plenitude até o fim, fornecendo todos os recursos tecnológicos e humanísticos para aliviar o sofrimento e culpa dos pacientes, familiares e profissionais de saúde.

 

Durante milênios, a morte era uma espécie de evento público e totalmente organizado, onde o moribundo morria em casa ao lado de familiares e pessoas queridas. Nos tempos atuais, com o avanço da medicina, não se morre mais em casa, e sim no hospital na maioria das vezes, onde a morte “medicalizada” não necessariamente é um evento mais digno, pois dessa forma o paciente acaba por estar fora do contexto da sua própria vida ameaçando a sua dignidade, como se a família desejasse “poupar” o enfermo da consciência da sua própria morte, pois isso ameaça a sua vida plenamente “feliz” (na atualidade, parece que se tornou obrigação sermos felizes a todo “custo”), afinal ainda em nossa sociedade, a morte ainda é pouco entendida e comentada, vista como um fracasso total e fim do consumo, isto quando ainda não se transforma em objeto de consumo.

 

A morte é um processo natural da vida e assim é importante que todos reconheçam que uma doença pode avançar até um ponto em que não há retorno a normalidade e que isto não é uma questão de erro e/ou incompetência médica, logo, os cuidados paliativos realizados por equipe multiprofissional, especialmente se instituído de forma precoce em conjunto com o tratamento da doença, valoriza a vida e alivia o sofrimento gerado no enfermo e em sua família, atendendo todas as suas demandas até o fim, não indicando distanásia e nem a eutanásia. Lembrando que não só o câncer, mas qualquer outra doença crônica se beneficia dos cuidados paliativos, a exemplo das cardíacas, neurodegenerativas, pulmonares, renais e hepáticas.

 

Infelizmente, no Brasil ainda existe uma carência de instituições e profissionais que atuam neste tipo de cuidado, formação adequada também não é oferecida na maioria das instituições de ensino na área da saúde, limitando bastante o acesso de uma legião de pacientes candidatos aos cuidados paliativos, logo neste momento em que o legado de toda a sua vida está prestes a se tornar sua herança ao mundo.

 

Texto adaptado de: Hennemann-Krause L. Ainda que não se posso curar, sempre é possível cuidar. Revista Hospital Universitário Pedro Ernesto. 2012;11(2):18-25

 

 

 

 

 

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